Entre 2016 e 2024, brasileiras venceram o prêmio de Ring Girl do Ano do World MMA Awards quatro vezes em nove edições. Esse dado, que está publicado na própria página oficial de critérios da premiação, muda a forma como se costuma apresentar essa comparação. Não é uma disputa de “quem é mais bonita”, é um histórico de reconhecimento profissional com registro público, e os números contam uma história mais específica do que a ideia solta de que um país “manda melhor” que o outro.
Usamos como base o quadro de vencedores do World MMA Awards, mantido pela revista britânica Fighters Only desde 2008, cruzado com biografias verificáveis das profissionais mais citadas de cada país.
O que o histórico oficial da premiação mostra sobre Brasil Vs USA no mundo das ring girls
O World MMA Awards concede, desde 2008, o título de Ring-card Girl of the Year por voto popular no site da Fighters Only. A lista de vencedoras, publicada pela própria organização, é a fonte mais confiável disponível para comparar o desempenho de profissionais de diferentes países ao longo do tempo, porque não depende de estimativa de terceiros.
| Ano | Vencedora | País |
|---|---|---|
| 2012 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2013 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2014 | Arianny Celeste | Estados Unidos |
| 2015 | Arianny Celeste | Estados Unidos |
| 2016 | Jhenny Andrade | Brasil |
| 2017 | Jhenny Andrade | Brasil |
| 2018 | Jhenny Andrade | Brasil |
| 2019 a 2020 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2021 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2022 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2023 | Brittney Palmer | Estados Unidos |
| 2024 | Luciana Andrade | Brasil |
A leitura direta da tabela já desfaz uma simplificação comum: não existe um domínio brasileiro constante, nem um domínio americano constante. Houve uma fase de disputa concentrada nos Estados Unidos (2012 a 2015), uma fase de domínio brasileiro ininterrupto (2016 a 2018, com Jhenny Andrade vencendo três vezes seguidas, o que a revista Cageside Press descreveu como “a ring girl mais bem-sucedida da memória recente” até aquele momento), uma retomada americana longa e consistente com Brittney Palmer (2019 a 2023, até o anúncio de sua aposentadoria do UFC em dezembro de 2023) e uma vitória brasileira mais recente, com Luciana Andrade em 2024.
Quem são as profissionais por trás desses números
Jhenny Andrade nasceu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, em dezembro de 1987. Segundo o IMDb, foi eleita a melhor ring girl do mundo três vezes, número que bate com os três títulos consecutivos documentados na tabela oficial (2016, 2017 e 2018). Ela também chamou atenção fora do MMA: durante o UFC 190, no Brasil, uma reportagem da CBS News registrou que ela “roubou parte dos holofotes” até mesmo da luta principal daquela noite, disputada por Ronda Rousey.
Luciana Andrade nasceu em Curitiba, em abril de 1986, como Luciana Mourão de Andrade. Formada em Direito, atuou na área jurídica por nove anos antes de se tornar Octagon Girl, estreando na função em 2014, na primeira edição do UFC em Uberlândia. É uma das únicas três brasileiras a chegar ao posto de Octagon Girl fixa do UFC, ao lado de Jhenny Andrade e Camila Oliveira, segundo reportagem da Gazeta do Povo. Já participou do programa The MMA Hour, do jornalista Ariel Helwani, onde rebateu publicamente a afirmação, repetida por lutadores como Uriah Hall e Khabib Nurmagomedov, de que ring girls ganhariam mais que atletas do card preliminar.
Camila Oliveira, detalhada em profundidade no guia sobre como ser ring girl, é a Octagon Girl brasileira mais antiga em atividade contínua, presente desde 2013. Como esse histórico já foi coberto, não o repetimos aqui.
Tabela Comparativa de Medidas
| Modelo / País | Altura | Peso aprox. | Biotipo e estética corporal |
| Arianny Celeste 🇺🇸 | ~1,68 m | ~53 kg | Magra / Glamour: Biotipo esguio, postura de modelo de passarela e apelo beachwear californiano. |
| Brittney Palmer 🇺🇸 | ~1,68 m | ~54 kg | Atlética / Curvilínea: Físico trabalhado e proporcional, com estilo clássico das produções norte-americanas. |
| Chrissy Blair 🇺🇸 | ~1,70 m | ~48 kg | Alta e Slim: Linhas delgadas, perfil bem definido para fotografia e moda fitness. |
| Jhenny Andrade 🇧🇷 | ~1,64 m | ~50 kg | Musculosa / Tonificada: Padrão fitness brasileiro — cintura fina (58 cm), pernas e glúteos tonificados e definição muscular visível. |
| Luciana Andrade 🇧🇷 | ~1,68 m | ~56 kg | Proporcional e Simétrica: Físico esguio com definição sutil, voltada ao bem-estar e alimentação saudável. |
Arianny Celeste, americana, entrou para o UFC em 2006 e, segundo sua biografia na Wikipedia, já havia sido eleita Ring Girl do Ano pela revista Fighters Only em 2006, antes mesmo de o World MMA Awards existir como premiação formal, somando depois ao menos quatro títulos adicionais na premiação oficial entre 2008 e 2015 (dado que diverge ligeiramente entre fontes quanto ao número exato, como aponto na seção de notas).
Brittney Palmer, também americana, começou como ring girl do extinto WEC (World Extreme Cagefighting) antes de migrar para o UFC. Segundo a Wikipedia, venceu o prêmio de Ring Girl do Ano seis vezes (2012, 2013, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023, sendo 2019 e 2020 contabilizados como uma edição combinada pela premiação), e anunciou a aposentadoria das aparições no UFC em dezembro de 2023, justamente ao receber esse troféu pela última vez, com o UFC 296 marcando seu evento final.
Chrissy Blair, americana nascida na Flórida em 1989, chegou ao UFC em 2013, junto com Vanessa Hanson, vinda do Strikeforce, onde ambas trabalhavam como ring girls antes da fusão das duas organizações. Blair também já atuou em eventos de boxe promovidos pela Zuffa Boxing, mostrando que a circulação entre diferentes marcas de esportes de combate não é exclusividade de nenhum dos dois países.
O que realmente diferencia os dois mercados, com base no que é verificável
A diferença está na estrutura de carreira:
Nos Estados Unidos, o UFC mantém um grupo relativamente estável de Octagon Girls contratadas por longos períodos, algumas delas por mais de uma década, como mostram os casos de Arianny Celeste, Brittney Palmer e Chrissy Blair, todas com permanência de dez anos ou mais na função.
No Brasil, o número de brasileiras que chegaram ao posto fixo de Octagon Girl do UFC é pequeno, reportado como apenas três nomes (Camila Oliveira, Jhenny Andrade e Luciana Andrade) em matéria publicada pela Gazeta do Povo em 2016, quando o UFC tinha onze Octagon Girls contratadas no total. Isso significa que, proporcionalmente, uma fração pequena do elenco global do UFC é brasileira, ainda que essa fração tenha produzido quatro títulos de Ring Girl do Ano em nove edições da premiação.
Esse contraste (elenco pequeno, mas desempenho desproporcionalmente alto em reconhecimento por voto popular) é o dado mais relevante que este comparativo pode sustentar com fonte, mais relevante do que qualquer julgamento estético.
Perguntas frequentes
Quantas vezes uma ring girl brasileira já venceu o prêmio de Ring Girl do Ano?
Pelo menos quatro vezes, segundo a lista oficial do World MMA Awards: Jhenny Andrade em 2016, 2017 e 2018, e Luciana Andrade em 2024.
Jhenny Andrade ainda detém o prêmio atualmente?
Não. Seu domínio foi entre 2016 e 2018. Depois disso, a americana Brittney Palmer venceu todas as edições seguintes até se aposentar das aparições no UFC, em dezembro de 2023.
Quantas brasileiras já foram Octagon Girls fixas do UFC?
Até onde documentamos, três: Camila Oliveira, Jhenny Andrade e Luciana Andrade, segundo reportagem da Gazeta do Povo de 2016.

















