Conheça o caso de MC Carol no Favela Kombat, evento beneficente de MMA entre comunidades, e entenda o que ele revela sobre representação e Ring Girls no Brasil.
Em 2013, um evento independente de MMA realizado na Rocinha/Rj chamou atenção por uma escolha que escapava ao padrão mais conhecido das Ring Girls. Em vez de apresentar somente modelos associadas ao mercado tradicional de moda e entretenimento, o Favela Kombat convidou a funkeira MC Carol para carregar as placas dos rounds.
A classificação apareceu em uma matéria publicada em 11 de março de 2013 pela UOL Esporte, dentro de um texto que relacionava a presença de MC Carol ao debate sobre a chamada “ditadura da magreza”.
O episódio não prova que o MMA brasileiro tenha adotado, naquele momento, uma política ampla de inclusão corporal. Também não há evidência de que tenha existido um processo nacional de seleção de Ring Girls plus size. O que existe é um registro jornalístico específico, ligado a um evento beneficente entre comunidades, com uma proposta de entretenimento diferente da encontrada em grandes circuitos esportivos.
A organização aproximou a função de Ring Girl da cultura local, do funk, da personalidade pública da convidada e da mobilização comunitária.
O que foi o Favela Kombat?
Na época não cobrava ingressos e tinha caráter beneficente, os organizadores conseguiram arrecadar quase dois mil quilos de alimentos. O responsável pela organização era conhecido como Claudinho MMA, que afirmou que o evento não recebia dinheiro do governo nem da prefeitura e era realizado com esforço próprio.

O evento estava ligado a uma rede comunitária e dependia de mobilização, identidade local e capacidade de atrair atenção sem contar com grandes verbas públicas ou estruturas corporativas.
A Ring Girl, nesse ambiente, podia cumprir mais de uma função além de ajudar a apresentar os rounds, contribuía para o entretenimento da plateia e também podia aumentar o interesse da imprensa e do público pela iniciativa.
Como MC Carol participou do evento?
Ela foi convidada pelo organizador, que destacou sua personalidade extrovertida e sua presença no cenário do funk.
Durante o evento, MC Carol desfilou com as placas dos rounds nos intervalos das lutas e também teve, a participação de Alessandra Mattos, rainha de bateria da escola de samba Porto da Pedra, que apareceu como outra Ring Girl da edição.
MC Carol representava a força do funk e da comunicação popular, Alessandra Mattos trazia a experiência ligada ao samba, ao carnaval e à performance de palco. As duas não eram apresentadas apenas como figuras anônimas contratadas para cumprir uma tarefa visual.
A escolha criava uma conexão entre o evento de MMA e manifestações culturais reconhecidas pelo público carioca daquela época e momento.
Em 2013, quando a exposição de Ring Girls era frequentemente associada a um padrão visual da mulher magra, uma matéria nacional registrou uma profissional ligada ao funk ocupando esse espaço em um evento de MMA comunitário.
Uma Ring Girl pode representar uma comunidade?
Em grandes eventos, a Ring Girl costuma ser apresentada como parte da produção visual da marca e o foco está no palco, na transmissão, na arena e nos patrocinadores. Em um evento comunitário, a relação pode ser mais direta.
MC Carol tinha uma conexão cultural com o público que não dependia apenas da aparência, e sendo conhecida por sua atuação no funk e por uma linguagem própria. O convite, portanto, podia funcionar como uma forma de identificação entre o evento e a comunidade que ele pretendia alcançar.
Ela estava inserida em uma linguagem cultural familiar ao público do Rio de Janeiro, e para quem não conhece a história dela até o funk, aconselho que busque conhecer por ser muito emocionante.

















