Conheça as histórias de Elinete Magalhães (Nete) e Jamila Sandora, ring girls do SFT que cruzaram a linha e entraram no octógono. Da pesagem de 2013 às edições temáticas do Outubro Rosa.
Das placas para famosas do ring
No Standout Fighting Tournament (SFT), a função de ring girl nunca ficou presa ao estereótipo de apenas carregar a placa entre os rounds. Em várias edições, profissionais que começaram nessa posição cruzaram a linha e passaram a competir. Duas histórias ilustram bem esse movimento: Elinete Magalhães, conhecida como Nete, e Jamila Sandora.
Elinete Magalhães (Nete): da placa à finalização em 43 segundos
Nete atuou como ring girl oficial do SFT a partir da edição 46. Paralelamente, treinava jiu-jitsu de forma séria. A transição oficial para o combate aconteceu no SFT Outubro Rosa VII, evento temático que a organização realiza anualmente em outubro em apoio à conscientização sobre o câncer de mama.
Competindo no SFT Grappling, ela finalizou a adversária em 43 segundos. O resultado entrou para a lista das vitórias mais rápidas da modalidade dentro da promoção. A performance chamou atenção justamente porque o público já a conhecia do outro lado do octógono, segurando a placa. A mudança de papel não foi gradual nem simbólica: foi uma estreia direta e rápida.
O caso de Nete mostra um padrão que aparece em algumas promoções brasileiras. A proximidade constante com o ambiente de luta, as pesagens, os bastidores e o contato com atletas e técnicos cria condições para que algumas profissionais testem a transição. Nem todas seguem esse caminho, mas quando acontece, o contraste visual e narrativo é forte.
Jamila Sandora: de musa e ring girl a card principal
Jamila Sandora chegou ao SFT com outra trajetória pública. Antes de lutar, ela já era conhecida como ring girl em eventos nacionais e como musa do Vasco da Gama em concursos de torcida. A decisão de treinar de verdade veio depois de observar lutas de perto e perceber que tinha condições de competir.
No SFT 12, realizado em 25 de maio de 2019 no Ginásio do Pacaembu, ela estreou no card principal contra Cláudia Leite e venceu por decisão unânime. Na época, manteve a invencibilidade na carreira profissional. A luta foi transmitida pela Band e gerou cobertura que destacava exatamente a origem dela: a modelo e ring girl que decidiu subir no cage.
O que torna o caso de Jamila interessante é a idade e o tempo de preparação. Ela começou a treinar de forma estruturada relativamente tarde e mesmo assim chegou a um card principal de uma das promoções mais assistidas do circuito nacional. O resultado reforçou a ideia de que a experiência prévia no ambiente de eventos pode funcionar como ponto de partida, desde que acompanhada de treino real.
O contexto das edições especiais e da renovação
O SFT renova periodicamente o time de ring girls, especialmente em edições temáticas como o Outubro Rosa. Esses eventos costumam ter card 100% feminino ou com forte presença de atletas mulheres e servem tanto para a causa de conscientização quanto para dar espaço a novas faces no octógono e nas funções de apoio.
Em 2013, na segunda edição do SFT, as ring girls Dai Macedo e Aline Franzoi animaram a pesagem oficial. O registro mostra que, desde os primeiros anos da promoção, a função já fazia parte da estrutura visual e promocional do evento. Aline Franzoi, inclusive, teve passagem posterior pelo UFC São Paulo no mesmo ano, o que ilustra a circulação de profissionais entre organizações nacionais e internacionais naquela época.
Alice, outra profissional citada em coberturas do SFT, ficou conhecida por participações em reportagens e interações de bastidores transmitidas pela Band e por plataformas digitais. O papel dela reforça que a função no SFT não se restringe ao momento da placa: envolve também presença em conteúdos que alimentam a transmissão e a audiência.
O que essas trajetórias revelam na prática
As histórias de Nete e Jamila não transformam a função de ring girl em “escola de lutadoras”. A grande maioria das profissionais continua atuando apenas na apresentação de rounds, pesagens, ativações e conteúdo promocional. O que elas mostram é que, em organizações como o SFT, a barreira entre os dois mundos é mais porosa do que o estereótipo sugere.
Para quem acompanha o circuito brasileiro, o valor está na concretude dos exemplos. Não se trata de discurso genérico sobre empoderamento. São casos documentados de profissionais que passaram da lateral do cage para o interior dele, com resultados mensuráveis: uma finalização em 43 segundos e uma vitória por decisão no card principal.
A renovação periódica das equipes, especialmente nas edições do Outubro Rosa, mantém o quadro vivo e abre espaço para novas histórias. Algumas profissionais permanecerão apenas na função clássica. Outras, como Nete e Jamila, usarão a proximidade com o ambiente de luta como ponto de partida para algo diferente.
No SFT, a placa continua existindo, mas em alguns casos, ela deixa de ser o ponto final da trajetória.


















