Entre 2011 e 2015, o MMA brasileiro passou a oferecer mais ocasiões públicas para a atuação de Ring Girls. As fontes da época registram concursos em comunidades, votações on-line, presença de modelos em eventos menores, contratação de celebridades e relatos de profissionais que buscavam exposição e contatos para a carreira.
Isso sustenta uma conclusão específica: houve diversificação das oportunidades visíveis para Ring Girls durante o período.
O que realmente aconteceu naquele período?
As fontes publicadas entre 2011 e 2014 mostram que o crescimento da exposição do MMA no Brasil criou oportunidades para diferentes perfis de Ring Girls: vencedoras de concursos locais, modelos de eventos menores, profissionais indicadas por agências e celebridades convidadas. O UOL na época relatou cachês de aproximadamente R$ 200 a R$ 500 por noite para Ring Girls anônimas em 2013, enquanto celebridades poderiam receber valores maiores.
Esse dado é uma apuração jornalística daquele momento, não uma tabela atual ou nacional.
2011: o concurso do Jungle Fight na Cidade de Deus
Um dos registros mais claros é uma matéria do SporTV publicada em 17 de outubro de 2011. O Jungle Fight organizou um concurso para escolher uma Ring Girl na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Karen Julliana, de 18 anos, foi escolhida entre mais de 100 candidatas da comunidade carioca.
A vencedora não receberia apenas o título local. A matéria informou que ela trabalharia também em outras edições do evento pelo país. As demais finalistas receberam convite para trabalhar na edição realizada na Cidade de Deus.
Esse detalhe é mais relevante do que o número de candidatas. O concurso funcionou como uma ponte entre três elementos que raramente aparecem juntos em uma descrição genérica da função:
- Uma seleção ligada a uma comunidade específica;
- Uma oportunidade de circulação para outras edições;
- Uma forma de dar continuidade profissional também às finalistas.
A matéria não informa o número total de etapas, o cachê, a duração do compromisso, o contrato ou os critérios completos do júri. Portanto, o caso permite afirmar que houve um concurso com mais de 100 candidatas e possibilidade de trabalho em outras edições.
2012: o MMA já atraía modelos e atenção nacional
Em janeiro de 2012, o UOL noticiou que o UFC projetava ter uma Ring Girl brasileira em futuros eventos realizados no país. A declaração citada era de Marshall Zelaznik, então executivo do UFC, que falava sobre dar uma identidade mais brasileira ao evento.
A reportagem descrevia um plano ou possibilidade futura, não a confirmação de uma contratação específica naquele momento.
A notícia também mostra uma mudança na forma como a função era percebida. As Ring Girls internacionais, como Arianny Celeste e Chandella Powell, já funcionavam como figuras reconhecíveis do UFC. A ideia de incluir uma brasileira ligava a função à adaptação local da marca, e não apenas à execução operacional de apresentar uma placa.
Também em 2012, o UOL publicou uma reportagem sobre uma Ring Girl de um evento de MMA entre comunidades cariocas. A página apareceu relacionada à cobertura posterior sobre profissionais anônimas e indica que a função já circulava em eventos menores, fora do circuito de celebridades.
O conjunto desses registros sugere uma cadeia de visibilidade: o UFC atraía atenção nacional; eventos locais usavam concursos e modelos para compor a experiência da noite; e algumas profissionais buscavam transformar aparições em oportunidade de carreira. Essa é uma interpretação baseada na combinação das fontes.
2013: o trabalho aparece com mais clareza, inclusive seus limites
A reportagem mais informativa sobre a economia da função foi publicada pelo UOL em 24 de março de 2013. O texto ouviu Aline Arouca e Lívia de Oliveira, apresentadas como modelos que trabalhavam em eventos menores de MMA no Brasil.
Segundo a apuração do UOL, a reportagem explicou que o valor variava de acordo com o tamanho do show e podia aumentar com o tempo de experiência. Para ex-BBBs e outras celebridades, o texto citou valores em torno de R$ 5 mil por uma noite de ação.
Esses números precisam ser lidos com quatro cuidados:
- São valores publicados em 2013, não valores atuais.
- Referem-se à apuração do UOL e aos perfis ouvidos, não a uma pesquisa censitária.
- O texto não informa uma amostra estatística capaz de representar todos os eventos.
O valor da oportunidade, para as entrevistadas, não se limitava ao pagamento. Aline Arouca descreveu divulgação do nome e mencionou cobertura de hospedagem, transporte e alimentação em eventos específicos. Lívia de Oliveira explicou que a duração curta do evento permitia conciliar a função com outros trabalhos.
A reportagem também registra o custo profissional da exposição. As entrevistadas relataram seleções com dezenas de concorrentes e testes que podiam reunir cerca de 50 candidatas. O trabalho incluía ensaio de roupa, reconhecimento do caminho no octógono, marcação do ponto de parada, forma de mostrar a placa e posicionamento para as câmeras.
O trabalho não era apenas caminhar durante o intervalo. Pelo menos nos eventos descritos pelo UOL, havia preparação de palco, coordenação com a produção e exigência de execução ao vivo.
A exposição funcionava como parte da remuneração percebida
O UOL registrou que algumas profissionais aceitavam cachês modestos porque enxergavam valor na exposição e no networking. Essa informação não significa que a exposição substituísse remuneração em todos os eventos. Significa que, nos relatos publicados, a decisão de aceitar um trabalho considerava mais de uma variável.
Uma forma útil de interpretar o modelo é separar o retorno em três camadas:
- Retorno financeiro direto, representado pelo cachê;
- Retorno de custos, como transporte, hospedagem ou alimentação quando oferecidos;
- Retorno de carreira, como visibilidade, contatos e possibilidade de novos trabalhos.
O título da reportagem inclui rigor, assédio e cachês modestos. O texto relata comentários vulgares de parte do público e a necessidade de manter uma postura profissional durante a interação. Também menciona preparação física e críticas recebidas ao vivo.
2013: concursos transformaram a função em produto de mídia
Em março de 2013, o SporTV publicou as quatro finalistas do concurso “Ring Girl Combate, Jungle Fight”. A etapa final previa ensaio fotográfico, gravação de chamadas e matérias para o canal Combate. A votação seria realizada no SPORTV.COM entre 1º e 19 de abril.
O concurso não tratava a candidata apenas como parte da operação de um evento. Ele produzia uma sequência de ativos de mídia:
- Apresentação das finalistas;
- Ensaio fotográfico;
- Gravação para televisão;
- Votação em plataforma digital;
- Divulgação da vencedora.
A análise mais importante é que o concurso ampliava o tempo de vida da pauta. A luta acontecia em uma data, mas as candidatas podiam gerar conteúdo antes dela. Isso ajuda a explicar por que a função passou a interessar também a modelos e pessoas que buscavam exposição, não somente a quem queria atuar na noite do combate.
A matéria trazia idade, cidade, altura, peso, relação com lutas e motivação declarada das finalistas. Uma delas mencionou a experiência anterior como Ring Girl; outra destacou a vitrine para o trabalho de modelo fotográfico. Esses depoimentos mostram trajetórias diferentes dentro do mesmo concurso, sem provar que houvesse um perfil único de candidata.
2014: o Jungle Fight combinou alcance comunitário e celebridade
Em fevereiro de 2014, o R7 noticiou outro concurso do Jungle Fight em comunidades do Rio de Janeiro. As inscrições eram destinadas a moradoras das comunidades locais. Cinco finalistas seriam apresentadas por Regina Casé e Nega Gizza, e a avaliação seria feita pela equipe do Jungle Fight e da CUFA. A final aconteceria na Favela do Sapo, em Senador Camará.
O evento fazia parte da parceria entre Jungle Fight e CUFA, retomada depois do projeto Jungle Favelas de 2011. A matéria contextualiza a iniciativa como uma ação voltada à descoberta de talentos e à realização de eventos em comunidades.
A seleção também podia funcionar como projeto de ativação territorial e de comunicação. A candidata não era apresentada somente como profissional contratada para exibir a placa. Ela também fazia parte da narrativa pública do evento em uma comunidade específica.
No mesmo período, o Jungle Fight também trabalhou com uma celebridade. O Superesportes informou que Cacau Colucci, ex-participante do Big Brother Brasil, seria Ring Girl no Jungle Fight 72, depois de já ter atuado no Jungle Fight 60. A matéria descreveu a participação na pesagem oficial e no evento, além do uso de fotos para divulgação.
A televisão e a internet mudaram a escala da exposição
A função era uma oportunidade de entrada, mas não uma garantia de carreira.
Os relatos publicados apresentam a atuação como uma forma de exposição, networking e complemento de renda. Isso pode ser relevante para uma modelo em início de carreira. Não significa que toda participação conduza a contratos ou que o trabalho substitua uma carreira de modelo.
O concurso de 2013 mostra uma combinação de televisão, portal esportivo, ensaio fotográfico e votação digital. O concurso de 2011 mostra a ligação entre comunidade e circulação nacional do evento. O caso do UFC em 2012 mostra a intenção de localizar a apresentação da marca no Brasil.
A combinação desses formatos explica por que a função ganhou atenção pública. As modelos deixaram de aparecer apenas durante um intervalo e passaram a participar de uma cadeia de conteúdo como anúncio, ensaio, entrevista, votação, transmissão e divulgação pós-evento.

















